O cenário da segurança pública no Ceará foi o tema central do “Café da Oposição” desta terça-feira (17). O convidado da semana foi o ex-superintendente da Polícia Civil, César Wagner Martins Maia, que em conversa com parlamentares no gabinete do deputado Cláudio Pinho (PDT), na Assembleia Legislativa, apresentou um diagnóstico severo sobre a evolução do crime organizado e a atual estrutura das forças de segurança do estado.
O Debate como Ferramenta Democrática
César Wagner iniciou sua fala destacando a importância de espaços de discussão como o promovido pela bancada de oposição. Para o especialista, o governo estadual tem pecado ao tentar desqualificar o debate técnico, rotulando-o meramente como “político”.
“Qualquer governo que se preze precisa ter um contraponto. Isso é bom para o próprio governo e é bom para a sociedade”, afirmou Wagner, ressaltando que temas como segurança, saúde e educação não podem ser discutidos em uma “bolha” governamental.
As Três Fases da Crise
Um dos pontos mais contundentes da entrevista concedida ao Poder 85 foi o resgate histórico da segurança no estado. Segundo César Wagner, o Ceará passou por três estágios que permitiram o fortalecimento das facções:
- Negação: Quando o governo afirmava que a existência de facções era “mentira”.
- Minimização: Onde se admitia o problema, mas o classificava como “crime desorganizado”.
- Inércia: A ausência de um combate precoce e especializado.
Wagner lembrou que, em 2008, o estado lidava com quadrilhas, mas a falta de uma rede capilarizada de combate ao narcotráfico permitiu que o crime se tornasse um poder paralelo, impondo leis e dominando territórios até nos municípios mais remotos.
Déficit na Polícia Civil: “O Ceará precisa de 9 mil homens”
Ao analisar a estrutura atual, o ex-superintendente apontou o que chama de “falha de visão absurda”. Ele defende que, embora a Polícia Militar tenha recebido investimentos, a Polícia Civil — pilar da investigação — foi deixada em segundo plano.
De acordo com César Wagner, para que o combate ao crime organizado seja efetivo em 2026, a Polícia Civil cearense precisaria contar com um efetivo de, no mínimo, 8 a 9 mil agentes. Sem esse contingente e sem órgãos especializados atuando de forma constante na Região Metropolitana e no Interior, a capacidade de investigação do estado permanece limitada.
Café da Oposição
O encontro desta terça-feira faz parte de uma agenda estratégica da oposição na Assembleia para ouvir especialistas e subsidiar críticas e projetos de lei. O deputado Cláudio Pinho reforçou que o depoimento de César Wagner corrobora as preocupações que a bancada tem levado ao plenário sobre a sensação de insegurança que persiste no Ceará.
