Em um movimento estratégico que mexe com as estruturas do poder no Ceará, a vice-governadora Jade Romero anunciou sua saída do MDB para se filiar à futura federação entre União Brasil e PP, a chamada União Progressista. O anúncio ocorre estrategicamente dentro da janela partidária e menos de 24 horas após o governador Elmano de Freitas (PT) se reunir, em Brasília, com os principais dirigentes das duas siglas.
A movimentação de Jade é vista como o “lance de mestre” do Palácio da Abolição para consolidar o controle da nova super-federação no Estado. Na quinta-feira (19), Elmano esteve à mesa com parlamentares e dirigentes do PP e do União Brasil, buscando garantir que o comando estadual da federação permaneça sob influência governista, isolando as pretensões da oposição para as eleições de 2026.
O Ceará tornou-se o principal foco de impasse nacional para a criação da União Progressista. De um lado, o grupo governista quer a estrutura para dar musculatura à gestão Elmano; de outro, setores da oposição tentam manter o controle das siglas para fortalecer uma candidatura alternativa ao PT no futuro.
Apoio de Peso e Unidade do Grupo
Ao anunciar o ingresso no novo time, Jade Romero não apenas muda de legenda, mas carrega consigo o aval de lideranças que são os pilares da atual gestão. Em vídeo, ela citou o apoio direto dos deputados federais Moses Rodrigues, Fernanda Pessoa e AJ Albuquerque, além do secretário Zezinho Albuquerque.
O gesto sinaliza uma pacificação interna: ao filiar a vice-governadora à federação, o grupo de Elmano e Camilo Santana coloca um “pé de chumbo” na estrutura partidária, dificultando qualquer tentativa de dissidência oposicionista vinda do União Brasil ou do PP nos próximos anos.
Desfecho Iminente
A definição sobre quem dará as cartas na União Progressista cearense deve ocorrer nos próximos dias. O presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, já sinalizou que o martelo será batido em breve. A entrada de Jade Romero no circuito praticamente antecipa o tom do anúncio: o Palácio da Abolição quer — e está agindo para ter — o controle total da nova potência partidária no Ceará.
Na próxima semana, em meio a janela partidária e indefinições, o Tribunal Superior Eleitoral deve decidir o futuro da federação. O TSE marcou para o dia 26 de março, às 10h, em sessão presencial, o julgamento do processo que pode oficializar a federação, pondo fim a especulações e dando segurança tanto na formação das chapas, quanto àqueles que pretendem concorrer na eleição de outubro próximo.
