O audiovisual cearense celebrou uma grande conquista ainda no ano de 2025 com a aprovação do projeto de lei do Executivo que cria a Empresa Cearense de Audiovisual (Ecavi). Conforme o texto da proposição n.° 103/25, a empresa tem como missão a promoção de políticas públicas em prol do setor audiovisual do Estado, investindo no desenvolvimento da produção cearense com a arte e a cultura digital, promovendo a criação, formação, exibição, distribuição, preservação, pesquisa e intercâmbio.
Criada pela Lei Estadual n.º 19.615/2025, a Ecavi deve atuar como agente articulador, conectando o setor audiovisual cearense com mercados nacionais e internacionais, abrangendo a produção de séries, games, TV aberta, fotografia, publicidade, serviços de streaming, entre outros.
O presidente da Associação Cearense de Produtoras de Audiovisual Independente (Ceavi), Roger Pires, enfatiza o apoio do Legislativo cearense para a criação da empresa pública de audiovisual do Ceará, colaborando para a concretização de um sonho para cineastas, artistas, produtores e profissionais que vivem de fazer cinema e vídeo no Estado.
“Ter o projeto analisado e aprovado pela Alece foi fundamental para que essa nova entidade tenha idoneidade. Acreditamos na democracia e vivemos isso de perto ao realizar essa conquista da forma mais transparente possível. Acessamos parlamentares para replicar a pauta, convocamos audiência pública com sala lotada de pessoas interessadas e autoridades à mesa, e por fim, acompanhamos a aprovação da lei. É um marco na história da cultura e economia cearenses e tenho certeza de que muitos resultados estão por vir”, avalia Roger Pires.
O líder do Governo na Casa, deputado Guilherme Sampaio (PT), desempenhou um importante papel na intermediação entre representantes do setor e o Governo do Estado, defendendo a criação da Ecavi e sua contribuição para a cultura e a economia cearenses. Para ele, a empresa vai atrair a produção de filmes para o estado do Ceará, por meio de uma estrutura empresarial que vai facilitar não só a produção do cinema cearense, que já é reconhecido nacional e internacionalmente, mas também criar canais que favoreçam a distribuição dessas produções para sua exibição nas salas de cinema.
“O estado do Ceará já se destaca pela sua produção audiovisual ao longo das décadas, largamente premiada em festivais dentro e fora do País. E em função da dimensão dessa cadeia econômica do audiovisual é que o Governo do Estado toma a decisão política de criar a empresa para atrair mais investimento. Mas não só o investimento público, que já acontecia através da Secretaria da Cultura, em parceria com a Agência Nacional do Cinema, mas também o investimento privado, que resulta na geração de emprego e renda no campo cultural no estado do Ceará”, prevê o parlamentar.
Guilherme Sampaio lembra ainda que a luta pela valorização do audiovisual cearense iniciou há 20 anos, até que, em 2021, foi sancionada a Lei n.º 17.857/21, que instituiu o Programa Estadual de Desenvolvimento do Cinema e Audiovisual (Programa Ceará Filmes) e criou o Sistema Estadual do Cinema e Audiovisual.
A secretária da Cultura do Ceará, Luisa Cela, afirma que, com a criação da Empresa Cearense de Audiovisual, o Estado assume de forma ainda mais clara o seu papel de indutor do desenvolvimento cultural, fortalecendo a produção independente, ampliando o acesso aos meios de produção e circulação, estimulando a formação profissional e garantindo que as histórias do povo cearense sejam contadas por quem vive, cria e produz aqui.
“Trata-se de uma iniciativa que reconhece o audiovisual não apenas como expressão artística, mas como um setor estratégico para o desenvolvimento econômico, social e simbólico do Estado. Essa empresa nasce de um olhar sensível e comprometido do governador Elmano, que compreende a cultura como um direito e como um vetor de transformação, capaz de gerar emprego, renda, inovação e pertencimento”, reconhece Luisa.
A titular da pasta da Cultura reforça ainda a importância do diálogo institucional promovido pelo Legislativo cearense na construção coletiva de políticas públicas. “Foi uma resposta concreta às demandas históricas dos trabalhadores e trabalhadoras do audiovisual, que há anos constroem, com muito talento e resistência, um setor reconhecido nacional e internacionalmente, mas que precisava de mais estrutura, continuidade e segurança para crescer”, opinou.
Segundo um estudo realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o setor audiovisual cearense é vital à geração de riqueza e desenvolvimento econômico do Estado. Para cada R$ 1,00 investido, o setor audiovisual cearense retorna R$ 3,10 à economia do Ceará. Comparado a outros setores da economia no Estado, o retorno de R$ 3,10 coloca o audiovisual em posição de destaque, comparado a outras áreas, como confecção de artefatos de vestuário e acessórios, com R$ 3,51, e o setor de construção, com R$ 3,24.
