Ceará se destaca na geração de empregos do Nordeste em março, com interior e serviços puxando contratações

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O Ceará teve papel de destaque na geração de empregos formais no Nordeste em março de 2026, acompanhando o movimento de interiorização das vagas e o protagonismo do semiárido. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), analisados pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, mostram que o estado criou 6.629 postos de trabalho no mês, ficando atrás apenas da Bahia no ranking regional.

No contexto nordestino, o saldo total foi de 25.138 vagas, com forte concentração no semiárido, responsável por 67% das novas contratações. Esse cenário também se reflete no Ceará, onde cidades do interior têm ampliado sua participação na geração de empregos, impulsionadas principalmente pelo setor de serviços.

O desempenho de março representa um avanço significativo em relação a fevereiro, com crescimento de quase 75% no saldo de empregos na Região. No Ceará, esse dinamismo acompanha a tendência regional, com expansão puxada por atividades ligadas à educação, saúde e serviços administrativos.

Segundo análise da Sudene, o setor de Serviços foi o principal motor da geração de empregos, também no Ceará. No estado, foram 5.368 vagas criadas nesse segmento, o que evidencia a força de atividades que tradicionalmente concentram maior participação feminina. Em toda a Região, as mulheres responderam por 92% das novas vagas em março — embora ainda recebam, em média, salários inferiores aos dos homens.

Além dos serviços, a Construção Civil também contribuiu para o saldo positivo no Ceará e em outros estados nordestinos, refletindo a retomada de obras e investimentos. Já o Comércio teve desempenho mais moderado no estado, com 387 novas vagas.

Por outro lado, setores como Indústria e Agropecuária apresentaram dificuldades. No caso da indústria, o Ceará conseguiu manter saldo positivo, com 1.297 empregos gerados, sendo um dos poucos estados com resultado favorável na atividade. Já a agropecuária seguiu a tendência regional de retração, impactando negativamente o resultado geral.

No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o Nordeste somou 49.630 novos postos de trabalho, com o Ceará contribuindo de forma relevante para esse resultado. A Região respondeu por pouco mais de 8% do total de empregos gerados no país no período.

O cenário reforça a importância do interior cearense e do setor de serviços como vetores de crescimento do emprego formal, em um contexto de recuperação gradual da economia e estímulo ao consumo.