Livros, textos em braile, obras autorais e pinturas transformaram o hall de entrada da Câmara de Fortaleza em um espaço de arte, criatividade e inclusão na manhã desta quinta-feira, 24. A segunda edição da Exposição Inclusiva reuniu escritores e artistas plásticos e encerrou a programação da Semana da Inclusão, realizada em alusão ao Setembro Verde.
Um dos expositores foi o escritor Paulo Roberto Cândido, que fundou a Academia de Letras e Artes da Sociedade de Assistência aos Cegos (ALASAC), e se destaca pela promoção da acessibilidade cultural e da inclusão de pessoas com deficiência visual.
Paulo apresentou ao público duas de suas obras. A primeira, “A Árvore de Retina”, resgata a trajetória dos dez primeiros anos da ALASAC, considerada pioneira ao incluir artistas e escritores cegos e com baixa visão no universo acadêmico. Já o livro “Casamento: quando impor? quando propor?” aborda as relações conjugais e propõe reflexões sobre diálogo, entendimento e construção de uma convivência harmoniosa entre os casais. “É uma obra que trata de como as pessoas podem apresentar propostas e construir, juntas, uma relação baseada na felicidade e na harmonia”, explicou.
Sobre a oportunidade de participar da exposição, Paulo agradeceu o espaço concedido pela Câmara de Fortaleza. “É muito importante estarmos aqui nesta Exposição Inclusiva mostrando nosso trabalho e fortalecendo a inclusão por meio da arte. Agradeço à Livinha e ao presidente Leo Couto por essa oportunidade de dar visibilidade aos artistas, que também são protagonistas nesse universo”, destacou.
Para a gestora de Inclusão da Câmara de Fortaleza, Livinha Vasconcelos, a segunda edição da Exposição Inclusiva reforça a diversidade e o potencial artístico das pessoas com deficiência. A iniciativa reúne escritores, artistas plásticos e outros expositores.
“Estamos encerrando o Setembro Verde com a segunda edição da Exposição Inclusiva. A primeira edição teve uma repercussão muito positiva e, desde então, as pessoas já perguntavam quando seria a próxima. Hoje, reunimos diferentes expressões e trajetórias, com escritores com deficiência visual, artistas plásticos, pessoas com síndrome de Down e escritores com paralisia. É uma forma de mostrar a diversidade que também existe dentro da inclusão e tudo o que essas pessoas são capazes de produzir”, destacou.
Segundo Livinha, a iniciativa também representa um espaço de reconhecimento e pertencimento. “Estamos muito felizes porque eles se sentem pertencentes a este espaço. A Câmara é a Casa do Povo e é importante que as pessoas com deficiência também ocupem esse espaço, mostrando seus talentos e sua produção. A gente espera que essa iniciativa inspire outras casas legislativas e empresas a fazerem o mesmo e valorizarem essas pessoas”, afirmou.
Pintura como expressão
Melina Costa veio acompanhada da mãe, Maria Vanda, e expôs quadros autorais produzidos com a técnica de pintura a óleo sobre tela. Apaixonada por desenho e pintura desde criança, ela destacou a satisfação em participar da iniciativa e ter a oportunidade de apresentar e comercializar seus trabalhos.
“Eu gosto de desenhar, gosto de pintar e decorar todos os desenhos. Eu posto alguns no Instagram. Fico muito feliz em poder participar dessa exposição, para conhecerem meu trabalho e comprarem minhas telas”, afirmou.
Segundo Maria Vanda, foi ela quem buscou uma aula de pintura depois de perceber o interesse da filha pela atividade. “Ela começou a se interessar, então fui atrás e coloquei ela na aula de pintura aos sábados, pois na semana ela trabalha na farmácia. E foi uma coisa muito boa, porque ela se realiza. Ela tem talento”, afirmou.
Para a mãe, iniciativas como a Exposição Inclusiva são importantes por ampliarem as oportunidades de participação e visibilidade. Melina já participou de outras exposições, incluindo mostras realizadas em alguns shoppings de Fortaleza. “É importante porque mostra que eles também têm essa oportunidade e podem fazer muita coisa”, destacou.
