Após derrota, Ciro Gomes divulga “Manifesto ao Povo Cearense” com acusações de fraude e críticas ao PT e ao STF

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Nesta terça-feira, o candidato ao governo do Ceará pela oposição, Ciro Gomes, publicou uma declaração intitulada “Manifesto ao Povo Cearense” após ser derrotado nas eleições do último domingo, 4 de outubro, que reelegeram o governador Elmano de Freitas. No documento, Ciro agradece os votos recebidos, mas faz duras acusações contra o processo eleitoral, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Supremo Tribunal Federal (STF).

​No início do manifesto, Ciro Gomes expressa seu agradecimento aos 2.498.890 cidadãos que votaram nele no último domingo. O candidato aponta que faltaram 376.682 votos para vencer a eleição, número que, segundo ele, representa pouco mais de 3% dos votos. No entanto, Ciro afirma que esses votos não foram suficientes para superar o que classificou como a “mais poderosa e desonesta máquina de corrupção, fraude e manipulação judicial da história do Ceará”.

​Ciro declarou explicitamente que não cumprimentou o candidato vitorioso. Ele alegou que o adversário e sua “organização criminosa tomaram as eleições”, afirmando que, pela primeira vez, sente que foram “roubados”. Ele confirmou que, após consulta com a equipe jurídica de sua campanha, concordou em apresentar uma reclamação à Justiça. O alvo direto de suas acusações no judiciário foi o ministro do STF Dias Toffoli, a quem Ciro acusa de ser o responsável pela “fraude final” contra sua candidatura. Segundo Ciro, Toffoli autorizou mais de 900 comerciais da campanha de Elmano com o presidente Lula durante a sexta-feira e o sábado que antecederam o pleito, dias em que a lei vedaria a propaganda.

​Além das questões eleitorais, Ciro dedicou parte do manifesto para documentar e criticar problemas socioeconômicos e de segurança no Ceará, destacando os seguintes pontos:

  • ​4.200.000 cearenses sobrevivem com menos de R$ 600 por mês.

  • ​Há 890.000 cearenses vivendo na extrema pobreza com menos de R$ 260 por mês.

  • ​O estado registrou 12.233 assassinatos nos últimos quatro anos, situação que ele atribui a um governo cúmplice de facções criminosas.

  • ​Houve um retrocesso no esforço de alfabetização na idade certa em 86 municípios do interior do estado.

  • ​O Ceará passou a registrar déficit em suas contas pela primeira vez em 32 anos.

  • ​Existem 63.000 cearenses aguardando na fila da regulação por um exame, consulta com especialista ou cirurgia.

​Na conclusão do manifesto, Ciro Gomes pede aos cearenses que “abram o olho”, afirmando que o estado foi transformado em um “quintal do PT” e que isso está destruindo o futuro local. Ele encerra o texto criticando o judiciário nacional, declarando que a república brasileira “apodreceu com um STF com membros tais como estes que nos assaltaram no domingo”.