O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (14) o texto que põe fim à escala de trabalho 6×1 no Brasil. A proposta, que já havia passado pela Câmara dos Deputados em maio deste ano, não sofreu alterações no texto-base e segue agora para promulgação do Congresso Nacional. A mudança é considerada um dos maiores marcos trabalhistas desde a Constituição de 1988 e institui a jornada 5×2 no país.
A aprovação repercutiu imediatamente na política cearense. O deputado estadual De Assis Diniz (PT), que tem forte base no movimento sindical como ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e da CUT-CE, classificou a decisão como uma “enorme conquista da classe trabalhadora”.
Em declaração, o parlamentar creditou o avanço à mobilização social e à articulação do Palácio do Planalto. “Foi fundamental a pressão exercida pela população sobre os parlamentares no corpo a corpo ou por meio das redes sociais. A história mostra que só conseguimos essas vitórias com muita luta”, destacou o deputado, elogiando a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na condução do debate.
Como vai funcionar a nova jornada
O texto aprovado garante a todos os trabalhadores regidos pela CLT o direito a dois dias de repouso semanal remunerado — sendo preferencialmente um deles aos domingos —, com a proibição expressa de redução salarial.
A transição será feita de forma escalonada:
- Curto prazo: Em 60 dias após a promulgação, o limite da jornada cai das atuais 44 horas para 42 horas semanais.
- Longo prazo: Após um ano da primeira etapa de redução, a jornada será fixada definitivamente em 40 horas semanais.
Impacto social e embate político
Para De Assis Diniz, a mudança terá um impacto direto na qualidade de vida da população, especialmente para as mulheres. “Isso dará aos trabalhadores mais tempo para o descanso, o lazer e o estudo. Principalmente as mulheres, que enfrentam uma jornada tripla”, pontuou.
O petista também aproveitou o momento para alfinetar a oposição. Citando pesquisas recentes que apontam a aprovação da medida por 70% dos brasileiros, Diniz criticou a postura do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o deputado, o ex-mandatário “desprezou a sessão histórica” ao viajar para o Rio Grande do Sul, mas acabou sendo “obrigado a mudar de opinião devido à pressão popular”.
Com a matéria enviada para a promulgação, o Brasil se prepara agora para a fase de adaptação do setor produtivo às novas regras, que entrarão em vigor nas próximas semanas.
(Com informações de assessoria | Foto de arquivo: José Leomar)
