Fortaleza inicia cooperação para gestão de resíduos orgânicos

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A Prefeitura de Fortaleza iniciou, na manhã desta segunda-feira (29/6), nova etapa de cooperação técnica do Programa Mutirão Brasil para fortalecer a gestão de resíduos orgânicos no município. A agenda teve início na Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP).

A iniciativa conta com apoio da gestão municipal, do C40 Cities e do Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia (GCoM). O trabalho será desenvolvido no âmbito do projeto Biofor, com foco na caracterização gravimétrica e qualitativa dos resíduos orgânicos gerados em feiras e mercados públicos da cidade.

Durante a reunião, foram apresentados os objetivos da cooperação técnica entre o Programa Mutirão Brasil e a SCSP, além do alinhamento metodológico, da definição de responsabilidades e da validação do cronograma de trabalho.

O projeto apoiará a Prefeitura no desenvolvimento de estudos para compreender melhor a quantidade e as características dos resíduos orgânicos gerados nesses equipamentos públicos. As informações servirão de base para o planejamento de futuras soluções de compostagem, recuperação de alimentos e outras iniciativas capazes de reduzir o envio de resíduos para aterros.

Segundo o secretário da SCSP, Abreu Machado, a cooperação contribui para aprimorar o planejamento da gestão de resíduos em Fortaleza.

“Essa etapa é importante porque nos permite trabalhar com dados mais precisos sobre os resíduos orgânicos gerados em feiras e mercados públicos. A partir desse diagnóstico, a Prefeitura poderá planejar soluções mais eficientes para reaproveitamento, compostagem e redução do volume destinado aos aterros”, afirmou.

A cooperação técnica inclui levantamento quantitativo e qualitativo dos resíduos orgânicos, apoio ao planejamento de uma futura estrutura de tratamento biológico, identificação do potencial de recuperação de alimentos ainda aptos ao aproveitamento e elaboração de diretrizes para fortalecer a logística de coleta e a gestão de resíduos orgânicos no município.

De acordo com o coordenador de Limpeza Urbana da SCSP, Eduardo Palheta, o estudo ajudará a orientar decisões operacionais.

“Feiras e mercados públicos têm geração constante de resíduos orgânicos, mas é preciso conhecer melhor esse volume, a composição e a dinâmica de descarte. Esse levantamento vai ajudar a Prefeitura a organizar rotas, avaliar alternativas de tratamento e estruturar ações com maior eficiência”, destacou.

A iniciativa também dialoga com os desafios climáticos das cidades. Estima-se que mais da metade dos resíduos produzidos nas cidades brasileiras seja composta por matéria orgânica. Quando enviados para aterros, esses materiais geram metano, gás que contribui para o aquecimento global.

Hélinah Cardoso, líder de engajamento do C40/GCoM, lembra que a cooperação foca na construção de estratégias para reduzir impactos ambientais, ampliar o aproveitamento de resíduos e fortalecer a gestão pública com base em dados.

“O mutirão visa tirar do papel as ações climáticas para que, de fato, a gente avance na resposta na implementação. Abraçamos Fortaleza em projetos na área de eletromobilidade, voltado para estruturar a infraestrutura de recarga e na aquisição de ônibus elétricos, e também em ações para reduzir as emissões por meio da gestão de resíduos. Com o Biofor, vamos trabalhar juntos para aprimorar a iniciativa e ver como viabilizar a projeto”, conta a gestora.

Biofor

O Biofor tem como objetivo promover a gestão sustentável dos resíduos orgânicos provenientes de feiras livres, mercados públicos e hospitais municipais. A iniciativa prevê a implantação de biodigestores para a geração de biogás e biofertilizante, contribuindo para o fortalecimento da economia circular e para a redução dos impactos ambientais.

Com o apoio do Programa Mutirão Brasil, em uma atuação conjunta da Prefeitura de Fortaleza, da C40 Cities e do Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia (GCoM), foi iniciada uma cooperação técnica destinada a auxiliar na estruturação, na coleta de dados e na implantação do programa. O projeto prevê a instalação de biodigestores em áreas estratégicas da Capital, onde serão processados resíduos orgânicos provenientes de feiras, mercados e hospitais municipais.

A iniciativa possibilitará a produção de biometano, que poderá ser injetado na rede de distribuição e utilizado no abastecimento de ônibus movidos por esse combustível.

A expectativa é reduzir o volume de resíduos encaminhados ao aterro sanitário, diminuir as emissões de gases de efeito estufa e estimular a geração de empregos verdes. O programa beneficiará diretamente feirantes, cooperativas e associações de catadores, hortas comunitárias e a população em geral.