A ArcelorMittal deu o primeiro passo formal para tentar tirar do papel uma antiga ambição na Unidade Pecém: a produção de bobinas a quente no Ceará. A siderúrgica aprovou nesta sexta-feira (3) um aporte inicial de R$ 35 milhões. O montante, contudo, não vai para obras ou maquinário, mas sim para custear os estudos e os processos de engenharia do projeto.
Se de fato avançar após essa fase técnica, o investimento mudará o patamar da planta cearense. Hoje, a usina do Pecém produz exclusivamente placas de aço — um produto semiacabado de menor valor agregado. Com a nova linha de laminação, a ArcelorMittal passará a entregar bobinas prontas, diversificando seu portfólio e mirando novos mercados sem precisar alterar sua capacidade nominal de 3 milhões de toneladas de aço por ano.
O freio corporativo
Apesar do anúncio sinalizar um horizonte de modernização tecnológica e eficiência energética na América Latina, o martelo ainda não foi batido. A empresa deixa claro que o início das obras físicas está estritamente condicionado ao resultado desses estudos de engenharia e, principalmente, a uma aprovação posterior do Conselho de Administração da multinacional.
Para a economia do Ceará, o movimento é acompanhado de perto pelo setor industrial. A consolidação de uma laminadora no Pecém integraria a cadeia produtiva local, permitindo que indústrias da região comprem o aço finalizado dentro do próprio estado, reduzindo custos logísticos e elevando o valor agregado do PIB industrial cearense.
