A valorização dos saberes tradicionais e a formação de novos artesãos movimentam municípios do interior do Ceará por meio do projeto Artesanato em Rede com o Mestre Chico Belo. Depois de passar por Caridade e Canindé, onde capacitou 80 pessoas, a iniciativa chega a Itatira com uma nova etapa de oficinas, prevista para o período de 19 a 23 de outubro.
Com incentivo da Transpetro e do Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o projeto aposta na transmissão de conhecimentos artesanais e no contato direto entre mestres experientes e pessoas que desejam aprender novas técnicas. A proposta também abre espaço para possibilidades de produção e geração de renda, além de estimular a continuidade do aprendizado dentro das famílias.
Em Canindé, a experiência já produziu histórias que vão além da sala de aula. Eliomar Gomes, participante da oficina de trabalho em couro, conta que o interesse despertado pela atividade chegou também ao filho, que até então não demonstrava vontade de trabalhar com artesanato.
“A oficina foi boa demais. Até meu filho, que nunca quis saber de artesanato, se interessou. No último dia, quando fomos embora, ele disse que, quando eu fosse comprar as ferramentas e os materiais para continuar trabalhando, era para avisar que ele iria comigo. Quer trabalhar junto comigo”, relata o artesão.
O depoimento mostra como a formação pode despertar novos interesses e aproximar gerações em torno de um ofício tradicional. Em um cenário no qual a transmissão de conhecimentos depende, muitas vezes, do contato direto entre quem domina uma técnica e quem deseja aprendê-la, iniciativas desse tipo contribuem para manter vivos os saberes ligados ao artesanato cearense.

Mestre Chico Belo mantém viva a tradição do trabalho em couro
À frente da iniciativa está o Mestre Chico Belo, reconhecido como Tesouro Vivo da Cultura do Estado do Ceará. Com mais de 60 anos de experiência no trabalho em couro e atuação reconhecida no Ceará e em outras regiões do Brasil, ele acompanha o processo de formação dos participantes e compartilha conhecimentos acumulados ao longo de décadas.
“Me sinto muito feliz porque eles estão aprendendo. Enquanto eu tiver saúde eu vou ensinar”, afirma o mestre.
A presença de Chico Belo aproxima os novos aprendizes de uma tradição artesanal construída ao longo de gerações. Mais do que ensinar procedimentos técnicos, o trabalho dos mestres ajuda a preservar referências culturais e a manter a circulação de conhecimentos que fazem parte da identidade de diferentes comunidades cearenses.

Cultura popular também movimenta as comunidades
A programação do Artesanato em Rede não se restringe às oficinas. O encerramento de cada etapa também abre espaço para apresentações de música, poesia, cantoria e outras manifestações da cultura popular, levando artistas e público a encontros que aproximam formação artesanal e produção cultural.
Em Caridade e Canindé, foram realizadas sete apresentações, com a participação de nomes como o mestre Geraldo Amâncio e a mestra Dina Vaqueira. Ao longo do conjunto das atividades culturais realizadas nos dois municípios, a programação reuniu mais de 1.400 pessoas.
As atividades também incluíram Feiras de Artesanato, com exposição de peças produzidas durante as oficinas. A iniciativa cria uma oportunidade para que a comunidade conheça o resultado do aprendizado e tenha contato com o trabalho desenvolvido pelos participantes.
Itatira recebe nova etapa de formação
O próximo destino é Itatira, onde os participantes terão contato com técnicas de crochê e produção artesanal com materiais recicláveis. A oficina está prevista para ocorrer de 19 a 23 de outubro, dando continuidade ao circuito iniciado em Caridade e Canindé.
A programação também contará com atividades culturais e uma Feira de Artesanato ao final da etapa, seguindo o formato adotado nos municípios anteriores.
Realizado pelo Instituto Chico Belo, com incentivo da Transpetro e do Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o Artesanato em Rede com o Mestre Chico Belo reúne formação, valorização dos mestres da cultura e difusão das manifestações populares.
Ao chegar a Itatira, o projeto amplia sua atuação no interior cearense e reforça a importância de iniciativas que aproximam o conhecimento tradicional de novos aprendizes, criando condições para que técnicas artesanais continuem sendo transmitidas e encontrem espaço nas próximas gerações.
Roberto Pires
Editor-chefe do Poder 85
